E esta heim !
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   Aqui publicarei e-mail´s recebidos e que pelo conteúdo levantam alguma polémica e deixam-nos de queixo caído ... faça você mesmo uma apreciação

junho 19, 2007


ENSINO E SAÚDE E MAIS ENSINO!!!


Caros bloguistas
O texto que se segue é da autoria de Alice Brito ( e recebido por e-mail), advogada em Setúbal, merece que percamos um pouquinho do nosso tempo para o ler.
Se depois de lido não sentir uma revolta a estalar dentro do peito e for capaz de olhar e ouvir os nossos governantes sem se perturbar, cuide-se… porque já perdeu de todo a capacidade de se indignar e, quando assim é, eles podem continuar impunemente a sugar-nos o sangue, que ninguém ousará dizer basta.


JC

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OS ESCRAVOS MORRIAM A TRABALHAR

Morreu há dias a Profª Manuela Estanqueiro com 61 anos, a quem havia sido diagnosticada uma leucemia.
O caso ficaria por aqui não fora a violentíssima história em que se embrulhou, espelho feroz dos tempos ferozes em que vivemos.

A professora em Novembro de 2006 foi a uma junta médica e pediu a reforma.

Tinha mais de 30 anos de serviço, um cansaço imenso a persegui-la e uma leucemia invasora que sem piedade lhe encurtava os dias.

Com olhares de abundante reprovação e uma prosápia empaturrada de saber e de poder, a junta médica considerou que a professora estava apta para o desempenho das suas funções, sendo que deveria regressar ao serviço, sob pena de perder o vencimento.

A docente regressou durante 31 dias à sala de aula.

Vómitos, desmaios frequentes, a morte a espreitar em cada segundo que corria escandalosamente penoso, pontuaram a enormidade dos 31 dias, findos os quais entrou no Hospital donde não mais saiu até morrer.

Eram os colegas que a alimentavam na escola porque não tinha força para pegar nos talheres. Eram os colegas que a apoiavam nas turmas porque não tinha já capacidade para dar uma só aula.

A reforma chegar-lhe-ia por fim, uma semana antes da morte.

Quem foram os médicos que atestaram sobre a capacidade da professora para o exercício de funções?

Que instruções lhes foram dadas pelo sistema para agirem desta forma?

Que avaro e desgraçado país é este, que nega displicentemente um tempo mínimo de paz antes da morte a quem trabalhou a vida inteira e com a mesma criminosa displicência concede, ainda na força da vida, reformas milionárias, aos que, como pequenos chefes de turma obsequiosos e concisos prepararam, elaboraram e prescreveram o discurso da crise, do apertar do cinto, do défice, da contenção salarial, do congelamento das carreiras...?

Esta gente confortavelmente reformada e impante, vai depois continuar a ser consumidora de poder e de poderes, colocando-se e recolocando-se nos píncaros da hierarquia de todos os cargos. Vai continuar a arengar sobre a necessidade de baixos salários, apontando a navalha certeira ao coração do Estado Previdência.

Com uma loquacidade técnica, e um linguajar hermético, prova-nos a nós, preto no branco que devemos continuar a trabalhar até morrer, que os aumentos salariais não são aconselháveis, que os despedimentos ainda não são suficientes e que só atingiremos o paraíso quando a flexisegurança borboletear à nossa volta, na renovada Primavera do patronato.

E dizem tudo isto convictos e convincentes, fervorosos e despudorados.

Tempos houve, no Portugal da guerra colonial, em que os mancebos quando iam à inspecção militar eram todos apurados independentemente do seu estado de saúde. Contava-se que mesmo quando estavam a morrer, não ficavam isentos da tropa, ficando apenas "adiados".

O neoliberalismo que coloniza as nossas vidas age como os médicos cegos que preparavam a carne para canhão.

Era professora e tinha uma leucemia. Negaram-lhe a reforma que só chegaria oito dias antes de morrer.

Alice Brito



Artigo copiado do Jornal de Notícias de 6 de Abril.Autor:Manuel
António Pina, em "Por outras palavras".

Título:Conselhos aos docentes.

"Até ao fim do 2º período, ou seja, em 121 dias de aula, foram
agredidos 157 professores nas escolas portuguesas, mais de um por dia.
E, no período de avaliações e notas anterior às férias da Páscoa, a
média disparou para dois por dia.Os números são da Linha SOS
Professor, mas a ministra continua a dizer que se trata de casos
"pontuais"(e na verdade, muitos professores acabaram no hospital,
tendo sido suturados com número indeterminado de "pontos"). A culpa é,
obviamente, dos próprios professores, que, apesar das instruções do
Ministério para que se acabe com o insucesso escolar, continuam a dar
más notas. E, pior, a dar os programas. Fossem eles tão avisados como
os seus colegas ingleses, que (veio agora no "Daily Mail", citando um
estudo governamental)deixaram de falar do Holocausto e das Cruzadas
nas aulas com medo dos alunos muçulmanos, e adaptariam os programas
aos interesses dominantes de grande parte dos alunos das nossas
escolas públicas:futebol e toques de telemóvel. A Matemática, o Português, a
História, a Física, etc, seriam dados só em colégios privados. Para que é
que um futuro desempregado precisa de saber Matemática ou Física? Se vier
mais tarde a precisar de um diploma, poderá depois obtê-lo na Universidade
Independente."



Publicado por elsita05 em 10:57 AM | Comentar (0)